Sábado, 8 de Janeiro de 2011

O sonho comanda a vida... ou a vida comanda o sonho?

 

Tenho medo de estar a tornar este blog num poço de depressão... mas, de facto, tem sido um amigo fiel que me dá alguma segurança... e o que tenho para partilhar hoje não é muito diferente do que tenho partilhado nos últimos tempos.

 

Estou triste. Estou frustrada. Sinto-me mal comigo mesma. E continuo a sentir-me egoísta.

 

Por vezes, tiramos conclusões na nossa vida que nos fazem perceber em que ponto estamos, qual o sentido da nossa vida e qual o motivo da nossa existência e isso faz-nos traçar o nosso caminho e prever como será o resto da nossa vida.

 

Não é positivo que isto aconteça, mas mesmo tendo consciência de que a vida muda de um dia para o outro, mesmo sabendo que aquilo que é certo hoje, amanhã pode não ser, há certos aspectos que se vão encaixando e revelando e as coisas vão-se definindo.

 

Neste momento vivo sozinha com a minha mãe... porque "falta o papá" como partilhei já anteriormente... e neste momento estamos a atravessar mais uma fase difícil com uma doença que surgiu no caminho da minha mãe.

 

Com tudo o que isso significa, faz-me sentido estar aqui para ela, acompanhando-a em tudo o que puder e sendo verdadeiramente filha dela. Nem sempre é fácil e nem sempre o consigo fazer da melhor forma, mas faz-me sentido que essa seja a minha prioridade hoje, tal como amanhã.

 

E é aqui que entra o meu egoísmo.

 

Neste momento, tenho que abstraír-me daquilo que são as minhas vontades e os meus sonhos e tenho a triste sensação de que este momento se prolongará para o resto da minha vida, porque estou na fase da vida em que temos tudo na mão e podemos decidir tudo... e eu não posso decidir nada, porque tenho a sensação de que já foi decidido por mim.

 

Porque não sair deste país, partir para uma aventura, arriscar, viver? Não tenho nada que me prenda... não tinha!

Porque não outra cidade, outro trabalho, outra formação? Não tenho nada que me impeça... não tinha!

 

Família é família, sempre! Nos maus momentos como nos bons. Mas claro que se a família está bem, é mais fácil afastarmo-nos, porque mesmo longe estamos perto. Mas se a família está mal, não podemos afastar-nos caramba! Temos que estar presentes.

 

Há que engolir em seco... acreditar que talvez o nosso caminho passe por aqui, talvez se possa arriscar um dia... talvez arriscar não seja para nós...

 

Mas... e sonhar? Não é o sonho que comanda a vida? Temos que sonhar! Mas como sonhar assim? Como pensar em nós e na nossa vida quando fazemos parte dos pensamentos e da vida de outras pessoas e quando essas pessoas precisam de nós?

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sentido por Anjo da Noite às 23:39
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Domingo, 26 de Agosto de 2007

O tempo que nos resta

 

"De súbito sabemos que é já tarde.

Quando a luz se faz outra, quando os ramos da árvore que somos soltam folhas e o sangue que tínhamos não arde como ardia, sabemos que viemos e que vamos. Que não será aqui a nossa festa.

De súbito chegamos a saber  que andávamos sozinhos. De súbito vemos sem sombra alguma que não existe aquilo em que nos apoiávamos. A solidão deixou de ser um nome apenas. Tocamo-la, empurra-nos e agride-nos. Dói. Dói tanto! E parece-nos que há um mundo inteiro a gritar de dor, e que à nossa volta quase todos sofrem e são sós.

Temos de ter, necessariamente, uma alma. Se não, onde se alojaria este frio que não está no corpo?

Rimos e sabemos que não é verdade. Falamos e sabemos que não somos nós quem fala. Já não acreditamos naquilo que todos dizem. Os jornais caem-nos das mãos. Sabemos que aquilo que todos fazem conduz ao vazio que todos têm.

Poderíamos continuar adormecidos, distraídos, entretidos. Como os outros. Mas naquele momento vemos com clareza que tudo terá de ser diferente. Que teremos de fazer qualquer coisa semelhante a levantarmo-nos de um charco. Qualquer coisa como empreender uma viagem até ao castelo distante onde temos uma herança de nobreza a receber.

O tempo que nos resta é de aventura. E temos de andar depressa. Não sabemos se esse tempo que ainda temos é bastante.

E de súbito descobrimos que temos de escolher aquilo que antes havíamos desprezado. Há uma imensa fome de verdade a gritar sem ruído, uma vontade grande de não mais ter medo, o reconhecimento de que é preciso baixar a fronte e pedir ajuda. E perguntar o caminho.

Ficamos a saber que pouco se aproveita de tudo o que fizemos, de tudo o que nos deram, de tudo o que conseguimos. E há um poema, que devíamos ter dito e não dissemos, a morder a recordação dos nossos gestos. As mãos, vazias, tristemente caídas ao longo do corpo. Mãos talvez sujas. Sujas talvez de dores alheias.

E o fundo de nós vomita para diante do nosso olhar aquelas coisas que fizemos e tínhamos tentado esquecer. São, algumas delas, figuras monstruosas, muito negras, que se agitam numa dança animalesca. Não as queremos, mas estão cá dentro. São obra nossa.

Detestarmo-nos a nós mesmos é bastante mais fácil do que parece, mas sabemos que também isso é um ponto da viagem e que não nos podemos deter aí.

Agora o tempo que nos resta deve ser povoado de espingardas. Lutar contra nós mesmos era o que devíamos ter aprendido desde o início. Todo o tempo deve ser agora de coragem. De combate. Os nossos direitos, o conforto e a segurança? Deixem-nos rir... Já não caímos nisso! Doravante o tempo é de buscar deveres dos bons. De complicar a vida. De dar até que comece a doer-nos.

E, depois, continuar até que doa mais. Até que doa tudo. Não queremos perder nem mais uma gota de alegria, nem mais um fio de sol na alma, nem mais um instante do tempo que nos resta."

 

Paulo Geraldo , escritor

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sentido por Anjo da Noite às 22:25
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