Quinta-feira, 10 de Maio de 2007

Depois... [03 Abril 2006]

Depois...

 

Depois do choque, dos rituais, dos lamentos, das lágrimas, das frases pronunciadas vezes sem conta...

Depois das emoções descontroladas, das atitudes impulsivas, dos pensamentos confusos...

Depois desses dias de dormência permanente...

Chega a hora de acordar...

Chega a hora de cair na realidade e na rotina de cada dia, que foi inevitavelmente alterada mas que continua a existir...

Pouco a pouco parece surgir algum esquecimento... mas é mentira... nunca se esquece...

Pouco a pouco parece que todos se vão esquecendo e afastando... e se estiveram lá nos momentos aparentemente mais difíceis... parece que agora fugiram...

 

A verdade é que aqueles não foram os momentos mais difíceis. Foram momentos de choque, de sofrimento, de muita dor... mas os piores... esses estão para vir... e vão-se revelando cruelmente em pequenos pormenores que a vida se encarregará de trazer...

 

Mas também é verdade que os amigos... os verdadeiros... estão lá... e se parecem esquecidos, não o estão.

Podem até esquecer-se que sofremos, ou podem parecer pensar que não sofremos... mas eles estão lá, e isso é mesmo o mais importante... é que assim podemos sempre refugiar-nos no conforto da amizade deles quando a vida nos fizer sofrer.

O problema é que queremos ser fortes... e manter o sorriso e a coragem apesar de tudo... e assim, mesmo os amigos verdadeiros acabam por acreditar que estamos bem...

 

Mas temos que fazer um esforço: deixar de ser orgulhosos e recorrer aos nossos “portos seguros” sempre que estamos mal... Sempre que a vida for cruel e nos trouxer momentos tão maus quanto nunca pensaríamos ser possível, há que amar a humildade e não ter medo de ser pegado ao colo... os amigos agradecem... e o nosso coração também...

 

Nada pode trazer de volta quem gostaríamos que a vida nunca nos tivesse tirado... mas, por outro lado, ninguém parte... há pessoas demasiado importantes para se deixarem partir assim no sopro de um segundo...

Temos que as deixar partir sim... mas a sua existência fica para sempre... no que nos ensinaram, nos momentos bons, nos momentos menos bons, nas quedas, nos sorrisos, nas gargalhadas, na cumplicidade, nos olhares, nos gestos... Em tanta coisa...

E se tudo isso pode fazer-nos chorar, sofrer, se pode trazer saudade e apertar o coração... pode também deixar um sorriso...

Um sorriso de orgulho... um sorriso de admiração... um sorriso de ternura...

E há que agarrar a vida... e simplesmente, VIVER!

Deixarmo-nos ir com quem parte é um erro... ficamos sem viver e viramos as costas a quem nos rodeia... a quem por vezes nos tira a paciência, mas por quem muito sofreríamos se nos separássemos...

 

E estamos no ponto zero: agarrar a vida outra vez...

E agarrá-la sempre com um sorriso... um sorriso que podemos extrair precisamente dos momentos e das situações que poderiam fazer-nos sofrer...

E se algum dia não conseguirmos sorrir de maneira nenhuma... não podemos ter medo de não sermos compreendidos se nos expusermos... Podemos até pensar que quem está à nossa volta não nos vai compreender... mas se não lhes explicarmos é claro que é difícil que nos compreendam...

 

Há que viver a vida sim... mas vivê-la bem... e para isso há que estarmos bem connosco e com a vida...

Por vezes pode não ser assim tão fácil estar bem... mas há que fazer um esforço... e aproveitar todas as pequenas coisas que a mesma vida nos vai oferecendo...

 

E embora se possa duvidar... há mesmo “coisas” que não acontecem por acaso:

Há sempre pessoas que estão ou aparecem na nossa vida de forma agradavelmente inesperada... há sempre a cumplicidade de um estranho num momento inesperado... há sempre um gesto carinhoso num local desconhecido... há sempre uma coincidência, uma sucessão de acontecimentos distintos que se associam... existe sempre um sorriso onde menos se espera e quando mais se precisa...

 

E dá ideia que há sempre alguém a cuidar de nós... 

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sentido por Anjo da Noite às 23:05
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2 comentários:
De V.A.D. a 12 de Maio de 2007 às 18:02
Os acasos existem; são tão reais quanto os eventos planeados. Simplesmente, por serem inesperados, afectam-nos de uma maneira mais profunda...
Gostei muito do post, pois aborda um tema doloroso numa perspectiva positivista.
Votos de um excelente fim de semana.

Cumprimentos.


De Emanuela a 2 de Setembro de 2007 às 02:06
Superar perdas é sempre um desafio,às vezes, custoso de se aceitar. Mas necessário. Porque, por mais que temamos, há coisas que são certas na vida e não há como evitar. Que tenhamos forças para enfrentá-las e possamos sobreviver à elas. Um beijinho!


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